Os ciúmes, uma barreira entre os irmãos, com solução

EFE/Arno Burgi

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A primeira coisa que esclarece Mara Quadrado, psicóloga infantil, é que os ciúmes são “sentimentos normais, se não, teríamos robotitos e não crianças”. Transmitir tranquilidade e normalizar a situação são algumas das chaves que a especialista aconselha os pais quando vão a uma consulta por este motivo.

Trata-Se, portanto, de uma questão de competência, pelo que, quanto mais velhos são, é mais fácil que, ao exigir outro tipo de atenção dos pais, o ciúme não surjam. Além disso, no caso de famílias numerosas, os mais velhos vão perdendo esses sentimentos porque eles aprendem a gerir.

Os mais incomodados por este aglomerado de sentimentos são os próprios meninos, pois não sabem como administrá-los, por não tê-los experimentado. “É um desafio para os pais”, aponta a psicóloga infantil.

No ciúme, a prevenção é muito importante. “Para prevenir, é bom que cada irmão tenha os seus tempos, os pais têm que saber organizar-se para que nenhum filho se sentir fora de lugar”.

Ciúme ativados: sinais de emergência

O sinal mais frequente de aparecimento do ciúme, observa Mara Quadrado, são as crises e a súbita desobediência com que se comporta a criança desde a chegada do novo membro.

Outros problemas são os psicosomáticos enurese e encopresis, a incontinência de urina e fezes, respectivamente. As dores psicosomáticos de estômago, vómitos, problemas de sono e perda de apetite completam os sintomas.

A violência é também um sinal de que algo não vai bem. Está preso o irmão pequeno, lhes tiram os seus brinquedos ou chivan constantemente o que fazem os pais. São comportamentos que antes não existiam no menor.

Se a conduta e os sintomas se mantêm no tempo e continuam a violência e o mau humor, é necessária a intervenção de um profissional “que reconduzca os sentimentos mais benéficos”.

A intervenção de um profissional

Como trabalha o psicólogo ciúme entre irmãos? Com uma terapia destinada tanto a criança que sofre como para os pais.

O primeiro é mostrar à criança que o que acontece é “normal”. “Nós projetamos situações em que a presença do irmão menor que seja bom para ele”, explica Quadrado.

Se a criança é mais velha, você pode trabalhar com ele de forma cognitiva: “Se lhe ensina a gerenciar e reconverter as emoções que experimenta, além de identificar o que está acontecendo e por que”, aponta a especialista.

Além disso, procura-se que empatice com seus pais e entenda que o novo irmãozinho precisa que estes lhe atendam.

Quanto aos adultos, às vezes, “reforçam os sentimentos de ciúme porque sobrecompensan a atenção ao maior”, diz Mara Quadrado, e acrescenta algumas das técnicas que recomenda aos pais:

  • Evitar as comparações entre as crianças
  • Não antincipar ciúme antes que nasça o pequeno, não tem que aparecer
  • Não tirar o tema diante de familiares ou amigos quando a criança estiver escutando, e se o faz, é para expressar o orgulho que estão a boa relação entre os irmãos.
  • Valorizar as diferenças e as competências pessoais de cada um dos filhos é muito positivo para estes.
  • Criar momentos agradáveis dentro da família, de jogo comum, bem como a resolução de problemas que possam surgir nessas situações.

O importante é normalizar os ciúmes, pensar que é algo passageiro e quanto mais cedo você trabalhe e conciencie a criança de que não perderá o seu lugar em casa, antes irã.

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