As empresas que não fabriquem alimentos saudáveis terão que fechar

O cardiologista Valentim Fuster reconhece que atuar sobre as empresas do setor alimentar é “muito complicado”, mas considera que a tendência que se está impondo passa por calificarlas em função de seus produtos, de tal forma que as que não estabelecem alimentos saudáveis terão que fechar

Fuster ao lado da ministra da Saúde e de outras personalidades/Foto cedida pelo CNIC

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“Ou você tem produtos muito saudáveis e são valorizados como tal, ou você terá que fechar sua fábrica de alimentos”, disse Igor, que salientou que a solução virá por esta via, “goste ou não goste”.

Fuster, diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares (CNIC) e presidente do Observatório da Nutrição e de Estudo da Obesidade, tem feito estas considerações durante a apresentação, junto da ministra da Saúde, Ana Mato, de um monográfico da revista “Scientific American”, que reúne 12 recomendações para promover a saúde cardiovascular.

No ato, o que também participou Carmen Vela, secretaria de Estado de Investigação, Desenvolvimento e Inovação, a ministra garantiu que Portugal ocupa uma posição de destaque na esperança de vida ao nascer, mas reconheceu que “o desafio agora é conseguir anos com boa saúde”.

Obesidade, hipertensão, colesterol, tabagismo e sedentarismo, fatores de risco

Apesar dos avanços, as doenças cardiovasculares continuam sendo a primeira causa de morte no mundo, também em Portugal, e a obesidade, a hipertensão, o colesterol, o tabagismo ou o sedentarismo são fatores de risco no seu desenvolvimento.

Daí a importância de promover, mais do que prevenir, que tem conotações negativas, a saúde cardiovascular, disse Igor, que tem dito que deve ser uma tarefa de toda a sociedade.

O doutor Igor reconheceu que o grande problema que existe é que os adultos não estão vulneráveis à doença, por isso há que trabalhar com as crianças.

Trabalhar com as crianças

Entre os 3 e os 6 anos é a idade em que se forma a conduta e “esse momento é a janela da oportunidade que lhes pode educar em temas de saúde, como uma prioridade”, disse.

Valentim Fuster explicou que, em 2010, o Institute of Medicine of the National Academies, convocou um grupo de especialistas mundiais, liderados por ele, com o objetivo de desenvolver recomendações para promover a saúde cardiovascular nos países em vias de desenvolvimento.

Quatro anos depois, a revista “Scientific American”, reúne os 12 pontos resultantes daquele grupo de trabalho, com exemplos concretos de como se pode aplicar com sucesso.

Este número especial oferece, de acordo com o doutor Igor, “uma completa roteiro” para melhorar a saúde cardiovascular”, além de demonstrar por que promovê-lo é tão importante neste preciso momento, e como, além disso, é possível ter sucesso nesta tarefa.

O também diretor do Instituto Cardiovascular do Hospital Monte Sinai de Nova York, foi avisado de que promover a saúde é “muito mais econômico” que lidar com a doença e considerou que lutar contra estas patologias não é tanto uma questão de dinheiro como de liderança, não a nível governamental, mas local.

12 recomendações para promover a saúde cardiovascular

1. Reconhecer as doenças crônicas como uma das prioridades da ajuda ao desenvolvimento.

2. Defender e apoiar as doenças crônicas como uma prioridade de financiamento.

3. Melhorar a coordenação nacional para as doenças crônicas.

4. Implementar políticas para promover a saúde cardiovascular.

5. Incluir as doenças crônicas e fortalecer os sistemas de saúde.

6. Melhorar o acesso ao diagnóstico de doenças cardiovasculares, aos medicamentos e à tecnologia, prestando a atenção que você precisa.

7. Políticas e programas de colaboração para melhorar a dieta.

8. Melhorar a informação e os dados locais.

9. Definir as necessidades de recursos.

10. Investigar para avaliar o que funciona em diferentes contextos.

11. Difundir o conhecimento e a inovação entre países similares.

12. Informar sobre o progresso mundial.

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