As doenças do coração, causadores de 30% de óbitos

As doenças cardiovasculares são a primeira causa de morte no mundo, responsáveis por mais de 17 milhões de óbitos a cada ano, segundo a OMS. No Dia Mundial do Coração, em 29 de setembro, o doutor Leandro Praça, presidente da Fundação Espanhola do Coração, lança em EFEsalud um chamado para cuidar dos batimentos deste órgão vital.

EFE/Marcelo Sayao

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Em Portugal, em 2012, as doenças cardiovasculares foram as causadoras do 30,3% do total de óbitos, o que representa pouco mais de 122.000 mortes, segundo os últimos dados publicados este ano pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Com motivo do Dia Mundial do Coração, que termina a Semana do Coração, realizada dias atrás, o doutor Leandro Praça, que colaborou com EFEsalud em diferentes ocasiões e de diferentes formas, com o objectivo comum de ajudar a sociedade a cuidar, proteger e manter o coração da melhor forma possível, volte a enriquecer os conteúdos do nosso site com os seus conhecimentos, os de um cardiologista muito comprometida com o bem-estar da população espanhola e de todas as populações.

Você tem um encontro obrigatório com seu coração

por Leandro Praça

Para conscientizar a população sobre a importância de prevenir as doenças e promover hábitos de vida cardiosaludables, a Fundação Espanhola do Coração (FEC) criou há 30 anos, a iniciativa “Semanas do Coração”, que percorre, com motivo do Dia Mundial do Coração, em diferentes cidades espanholas organizando várias atividades voltadas para a prevenção, tais como oficinas de comida cardiosaludable, atividades e manifestações desportivas, testes de medição do risco cardiovascular ou cursos de ensino de reanimação cardiopulmonar (RCP), entre muitas outras.

A prevenção, a melhor arma para combater as doenças do coração

Devido ao crescimento da esperança de vida atual, cada vez aumenta mais o número de pessoas idosas em nossa sociedade. Em particular, estima-se que, em 2025, um em cada cinco cidadãos da União Europeia terá mais de 65 anos; em Portugal, e de acordo com os últimos dados do INE, para o dia de hoje 18% da população tem mais de 65 anos e 5,7% supera os 80 anos.

Este aumento da longevidade vai intrinsecamente ligado ao crescimento da prevalência de doenças crônicas, entre as quais se destacam as doenças ligadas ao coração, que são responsáveis por 45% de todos os óbitos que ocorrem entre as pessoas de mais de 65 anos.

Perante estes dados, é esperançoso saber que muitas das doenças crônicas mais prevalentes podem-se prevenir seguindo um estilo de vida saudável, com base em uma dieta equilibrada e a prática regular de exercício físico, e mediante o controle adequado dos fatores de risco cardiovascular (colesterol, hipertensão, diabetes, tabagismo).

Neste sentido, e fruto das campanhas de prevenção que já há anos vêm ocorrendo, um recente estudo espanhol publicado na Revista Espanhola de Cardiologia, constatou que nos últimos 30 anos, a esperança de vida da população espanhola tem crescido 6,4 anos, dos quais 3,8 anos (63% do total do aumento) se devem aos avanços das doenças cardiovasculares e a maior parte delas, devido à prevenção da mesma.

Mesmo assim, ainda temos um longo caminho a percorrer e é indispensável continuar impulsionando programas de prevenção que combatê-las cortes que a crise económica tem impulsionado sobre os programas de prevenção cardiovascular.

Prova disso são os dados do último relatório do instituto nacional de estatística (análise de óbitos de 2012), que mostra como, pela primeira vez, tem-se observado um aumento na mortalidade por causa cardiovascular após vinte anos de quedas consecutivas.

Raio-x da prevalência dos fatores de risco na população espanhola

  • O 71,3% dos pacientes atendidos nos serviços de cardiologia e 40% na atenção primária são hipertensos. Quanto maiores são os valores de pressão arterial, maior o risco de desenvolver uma doença cardiovascular e o de mortes causadas pela hipertensão arterial.
  • Um em cada dois adultos espanhóis tem as taxas de colesterol elevadas (acima de 220ml/dl). As pessoas com níveis de colesterol no sangue de 240 mg/dl têm o dobro de risco de sofrer um ataque cardíaco do que aquelas com valores de 200 mg/dl.
  • O 36,65% da população adulta portuguesa sofre de excesso de peso e o 17,03% obesidade. Existe uma relação direta entre o índice de massa corporal (IMC) e a mortalidade, de forma que a maior IMC, maior a mortalidade, especialmente por motivos cardiovasculares.
  • O 35,86% dos homens e 46,64% das mulheres são sedentários. O sedentarismo, além de provocar, por si mesmo, um dano importante ao nosso sistema cardiovascular (risco de doença cardíaca coronariana), contribui para acentuar os efeitos de outros fatores de risco como a obesidade, a hipertensão ou hipercolesterolemia.
  • O 4,54% dos maiores de 15 anos tomam álcool, de forma intensiva, ao menos uma vez por mês. O abuso do álcool tem efeitos graves no corpo e um impacto particular sobre a pressão arterial alta.
  • O 26,96% dos espanhóis fuma diária ou ocasionalmente (quase 12.600.000 pessoas). A incidência de doença coronariana em fumantes é três vezes maior do que no resto da população. A possibilidade de ter uma doença do coração é proporcional à quantidade de cigarros fumados por dia e ao número de anos em que se mantém este hábito nocivo.
  • Mais de 4.500.000 de espanhóis têm diabetes tipo 2, 12% da população total de Espanha. A diabetes está intimamente ligada às doenças cardiovasculares; calcula-se que as pessoas com diabetes são de duas a quatro vezes mais propensas a desenvolver este tipo de doenças.

Comemoração do Dia Mundial do Coração

Para divulgar todos estes conhecimentos e sensibilizar as pessoas sobre a importância da prevenção, se comemora internacionalmente o Dia Mundial do Coração, comemorado em mais de 100 países diferentes no dia 29 de setembro, e que culmina os atos da “Semana do Coração”.

Para mais informações consultar o site da Fundação Espanhola do Coração.

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